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Publicado originalmente no jornal O Globo

Após o descanso do começo do ano, é um bom momento para avaliar em que momento estamos em nossa carreira e o que fazer para movê-la para frente. Quer um indivíduo esteja iniciando uma nova fase, consolidando uma posição ou desejoso por um novo momento na carreira, o importante é pensar no que fazer para que ela nunca pare. E ter em mente que ela se desenvolve em ciclos. Toda vez que a carreira para, é porque o profissional parou antes em alguma área de seu desenvolvimento. Assim, se avaliar que setor é esse, será capaz de definir ações para criar novas oportunidades, e isso deve ser feito desde sempre.

NUNCA PARE DE APRENDER

O conhecimento de uma pessoa pode rapidamente tornar-se obsoleto ou insuficiente para ser relevante para as empresas. Uma nova formação acadêmica, um curso de pós-graduação ou uma língua estrangeira podem ser o diferencial relevante para uma oportunidade.

VENÇA SUA TIMIDEZ!

Por mais competente que seja, se um profissional não souber se expressar nos momentos decisivos, como numa entrevista para emprego, diante de clientes ou dos níveis hierárquicos mais elevados, sua competência ficará oculta. A sugestão é que um indivíduo faça tantos cursos de expressão verbal ou oratória quanto puder. Se não tiver condições de investir em um, deve adquirir ou emprestar um gravador e gravar-se falando. Procurar ver se concatena bem as idéias, se sua dicção é boa e se não fala muito rápido ou muito devagar. Procurar um coach, se necessário. Se, ainda assim, sua timidez persistir, considerar a possibilidade de consultar um psicólogo, para que ele possa lhe ajudar a ultrapassar essa barreira. Ou, nos casos mais leves, quem sabe não se desinibe em uma aula de teatro ou mesmo dança de salão? Enfim, tem de encontrar uma forma de vencer a timidez, ela é responsável por boa parte das carreiras que avançam muito lentamente ou se estagnaram.

AMADURECER

Talvez seja o início de um ciclo em que sua maturidade seja colocada à prova. Nesse sentido, deve procurar se expor a mais experiências de vida. Arriscar-se mais. Se possível, fazer uma viagem sozinho para o exterior, preferencialmente a um país que não fale uma língua que conheça. Aprender a se virar. Fazer um trabalho voluntário e entrar em contato com pessoas que vivem dificuldades, mas as vivem com destemor – ajudá-las.

MARKETING PESSOAL, ESSE DESCONHECIDO TÃO CRITICADO

Outros elementos fundamentais para sua carreira avançar são a sua imagem, fala e postura. A pessoa deve lembrar-se de que o profissional vende a todo instante a sua credibilidade. Assim, deve ter uma imagem que transmita isso: procurar se vestir com a sobriedade, elegância e estilo de um locutor de telejornal sempre que estiver à procura de um emprego ou de um cargo mais elevado. Evidentemente, fazer os ajustes necessários à sua idade, ao cargo pretendido e à empresa na qual busca a recolocação. Portanto, não aparecer de terno e gravata em uma empresa que vende materiais para esportes radicais, nem deixar sua nova tatuagem à mostra ao procurar emprego em um hotel tradicional. Pensar, antes de agir.

ONDE PROCURAR PELO NOVO CICLO EM SUA CARREIRA?

O indivíduo também pode estar procurando no lugar errado o início ou o novo ciclo de sua carreira. A maioria dos empregos não está nas grandes empresas, mas nas menores. Diferentemente do que se imagina, muitas empresas de pequeno porte possuem grandes clientes e lucratividade, o que lhes permite pagar salários elevados. Além disso, há a vantagem de poder desenvolver e utilizar muitas habilidades em um mesmo lugar, o que é muito bom, principalmente para quem está começando uma nova carreira. Afinal, as empresas menores não possuem tanta estrutura, o que não significa que não tenham atrativos: dinamismo, desafios, crescimento e, em muitos casos, ousadia.

APRIMORE SEU NETWORKING

Em cada uma dessas ações que possam mover seu desenvolvimento rumo a um novo momento da carreira, que pode ser um novo emprego, a pessoa deve lembrar-se de conversar muito com as demais que estão ao seu lado. Procurar aquelas que possam indicá-la para uma nova colocação ou influenciem alguém que possa contratá-la. Não ter ilusões, estima-se que de 60% a 80% das vagas relevantes nas empresas são preenchidas por indicação. Desse modo, ter interesse em conhecer pessoas e conquistá-las com uma conversa marcante, relevante e inspiradora. No mundo corporativo, saber iniciar um diálogo com alguém extremamente importante para sua carreira de forma curta e curiosa é o que se chama de “conversa de elevador”. Isto é, o indivíduo entrou no elevador com a pessoa que pode contratá-lo ou influenciar quem o contrate e tem somente até o andar de destino dela para falar sobre quem é e o que deseja para sua carreira. Não pode ser óbvio nesse momento, deve saber criar a curiosidade. Entretanto, não pensar que jogar uma conversa mole para cima de alguém vai ser suficiente para conseguir a nova colocação. Competência e boa comunicação é que formam uma combinação poderosa de sucesso.

SE INTERESSE PELOS PROBLEMAS À SUA VOLTA

Uma pessoa deve ter interesse genuíno em resolver problemas, aprimorar processos, produzir produtos de alta qualidade, atender com extrema atenção e cuidado os clientes externos e internos da empresa. Em outras palavras, não basta que alguém queira trabalhar em uma empresa, é preciso querer que a empresa ganhe. Assim, descubrir quando a companhia que trabalha ou procura “faz um gol”, ou seja, alcança suas metas, e avaliar se isso tem a ver com seus desejos, valores e princípios. Se não tiver, procurar outra companhia. O mundo está cansado de ser atendido por pessoas que não gostam do lugar onde trabalham. E uma sugestão para quem está começando: seja treinável, ou seja, saiba ouvir orientações e aplicá-las rapidamente na sua rotina de trabalho.

E SE TUDO ESTIVER INDO BEM COM SUA CARREIRA?

Por último, se a pessoa já descobriu quais áreas de sua vida podem parar e o que fazer para aprimorá-las, deve saber exercitar o seguinte: imaginar o mundo daqui a três, cinco e dez anos. Nesse mundo do futuro, pensar como estarão o mercado e as empresas em que pretende atuar. Qual será o seu papel nessas empresas? Nessa função do amanhã, quais competências precisará ter? Comparar com as habilidades que possui hoje e comecar a desenvolver desde já aquelas que ainda não tem. Assim, corre menor risco de se tornar obsoleto ou de se achar surpreendido por uma demissão.

São muitas as ações que alguém pode fazer para se desenvolver e ir em direção ao sucesso de sua carreira. Adquirir novos conhecimentos, aprimorar-se financeiramente, realizar um ano sabático, fazer um coaching, participar de uma aventura, desenvolver sua maturidade espiritual e seu marketing pessoal, entre outras. Elas vão construir para o indivíduo, desde o início da carreira e nos demais ciclos, um horizonte mais claro do que fazer para se aperfeiçoar e ir longe. Vamos em frente!

Para me seguir no Twitter: @silviocelestino

Seja uma grande empresa preocupada com o índice de turn-over, uma pequena tentando capturar talento nota 10 das grandes corporações, ou simplesmente um gerente inteligente que compreende o valor de reter funcionários fora-de-série, leia o artigo do Eric Jackson na Forbes: As 10 Principais Razões Pelas Quais As Grandes Corporações Não Conseguem Manter Seus Melhores Talentos.

E à propósito, para desenvolver uma cultura corporativa alinhada com o seu propósito, conte conosco.

Pablo

Os 10 Artigos do Blog + Acessados em 2011

Considerando a popularidade, listamos abaixo os 10 artigos mais acessados em 2011 no Blog Alliance Coaching. E os vencedores são… 

  1. 8 Coisas Que Você Sempre Deve Dizer Aos Funcionários
  2. Laura Não Trabalha Mais Aqui – Ao menos não a sua essência
  3. Dê Feedback Negativo Adequadamente
  4. Os 10 Erros Mais Cometidos pelos Novos Gerentes
  5. A Geração Y Está Dando Uma Banana Para Você
  6. Feedback – Parte 3 – Como fazer o feedback negativo
  7. Como Mudar Sua Cultura Organizacional
  8. 45% dos Seus Talentos Querem Sair. Veja Como Segurá-los
  9. Cultura de uma empresa, cansei de ouvir – Afinal, o que é e como a administro?
  10. 3 Maneiras de Avaliar o Quanto um Candidato se Encaixa na Cultura Organizacional

E para você, qual foi o artigo favorito em 2011?

Não deixe de ver os dois últimos artigos do ano:

Continuem nos acessando em 2012!

Pablo

Esperanças Natalinas

Semana passada compareci a mais uma festa de final de ano, coloquei os apetrechos natalinos fora e dentro de casa e levei a Ágata, minha filha adorável de apenas 10 meses, para ver as luzes que decoram as demais casas da rua. Acho que finalmente o espírito natalino ganhou a batalha pela minha atenção e se encontra à frente dos diversos projetos de trabalho em que estou envolvido.

Com isso em mente, ofereço a você a minha Carta pro Papai Noel. Todo ano eu escrevo àquele gordinho de vermelho o que eu mais quero para o mundo corporativo, propósito da minha consultoria. Veja se você encontra algumas de suas esperanças refletidas nela também…

Qualquer que seja o feriado que você festeja nesta época do ano, ou mesmo se você não celebra, espero que você possa curtir as festas e dedicar tempo àqueles com os quais você mais se importa. Afinal, isso não tem preço.

Conte comigo em 2012,

Pablo Aversa

Publicado originalmente no jornal O Globo

A carreira profissional é parte de um investimento, com certeza da empresa e, tomara, da própria pessoa. Se ela tiver um plano tão bem elaborado quanto o de uma organização, sua carreira pode ter um futuro promissor. Se não tiver um plano ou visão estratégica, seu amanhã é incerto. Portanto, conseguir ver o futuro e como ele afetará sua carreira, dá ao indivíduo condições de se precaver e tomar as decisões apropriadas. Entretanto, ao observarmos as notícias econômicas que vêm da Europa, dos Estados Unidos e de Brasília, ficamos um tanto intrigados com sua complexidade. E é difícil responder: como isso afeta minha carreira?


Decisões equivocadas

A consequência mais direta de não lidar com essa questão é a pessoa tomar decisões que nem sempre são as mais apropriadas. Por exemplo, recentemente o Bank of America Merrill Lynch fechou sua operação de gestão de fortunas no Brasil. Mas, há menos de ano, muitos executivos deixaram suas carreiras em outras instituições e construiram um plano de longo prazo com Merrill Lynch. Resultado, têm de procurar emprego em pleno final de ano. Outra notícia do mesmo setor: o Citigroup anunciou que vai cortar 4500 postos de trabalho ao longo dos próximos trimestres. Portanto, ao contrário do que os protestos sugerem, o futuro não está fácil para quem pretende fazer carreira em Wall Street. E vai piorar.


A falsa sensação de segurança

A consequência de não se interessar em observar as notícias econômicas e conectá-las com sua carreira é uma falsa sensação de segurança. Por exemplo, neste exato momento funcionários públicos em países europeus estão perdendo seus empregos, pois seus salários e, principalmente, suas aposentadorias são um peso insuportável para a economia daqueles países. E, em Brasília, tenta-se equacionar o mesmo problema, para evitar isso no futuro. Portanto, quando alguém decide hoje pela carreira pública deve saber que não é certeza de ter emprego para o resto da vida. E que, se as mudanças atuais forem aprovadas, sua aposentadoria será similar aos da iniciativa privada. Se desejar mais, deverá fazer parte de um fundo de pensão complementar. Mas, esses fundos não são grandes investidores do mundo? Sim! E aqui vai mais um ponto de atenção: se eles estão entre os maiores investidores do mundo e há uma crise sistêmica na economia, o que acontecerá com esses fundos quando um colapso financeiro em escala global ocorrer?


Alfabetizar-se financeiramente 


A única forma de alguém proteger sua carreira ao longo do tempo é alfabetizar-se financeiramente. Compreender os complexos meandros das decisões econômicas e como elas impactam sua vida profissional. Afinal, um investidor que não sabe o que está fazendo torna qualquer investimento arriscado, e sua carreira é um investimento de décadas.

O mundo e as pessoas estariam em melhores condições se elas fossem alfabetizadas financeiramente. É importante o profissional, ao ingressar em sua carreira, procure desde o início o equilíbrio entre realização pessoal e ganhos financeiros. É horrível trabalhar com algo de que não se gosta, tanto quanto não conseguir o padrão de vida desejado. E esse plano de carreira, para acontecer de forma apropriada, deve estar nas mãos do indivíduo, não da empresa. Ele que deve se interessar por entender a complexidade econômica e decidir quais os melhores caminhos a seguir para evitar sérios problemas, que podem significar um futuro incerto e muita insegurança para sua vida.

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Estamos chegando ao final de 2011 e nesta época costumo fazer um balanço do meu desempenho no ano, vis-a-vis o propósito da Alliance Coaching, que é ajudar as empresas a mudarem para que sejam as melhores empresas que elas podem ser.

Mudar é difícil para a maioria das empresas.

Afinal, mudar traz incertezas, o que cria um enorme desafio quando se quer alinhar a cultura organizacional e os imperativos estratégicos da empresa.

Se teme a mudança pois ela ameaça o status quo, ou seja, a maneira como sempre se fizeram as coisas por aqui.

Para exercitar a idéia que mudança organizacional é difícil, costumo resgatar um teste que aplico como business coach:

Numa folha de papel em branco, mapeie sua rotina diária. Pense sobre todos os pequenos detalhes do seu dia-a-dia. Quando é que você acorda? O que você normalmente faz na sequência? Onde estão as coisas que você utiliza de manhã no seu banheiro? Em que ordem você faz as coisas (escovar os dentes, tomar banho, etc).  O que você normalmente começa  a a ler no jornal? Como você normalmente vai ao trabalho? Quais são sua rotinas típicas no trabalho? Como está organizado o seu ambiente de trabalho? O que precisa estar onde para você se sentir feliz? Mapeie completamente seu típico dia de trabalho.

Não importa o quão frenético  ou imprevisível é o seu dia-a-dia, existem certas rotinas e rituais que você cumpre e com as quais fica desconfortável sem elas, certo?   

Agora imagine mudar totalmente suas rotinas – não apenas fazendo algumas coisa de forma diferente, o que todos nós gostamos de fazer de vez em quando, mas mudar completamente a maneira como lidamos normalmente com o dia-a-dia. Melhor ainda, faça isso. E ao mesmo tempo que muda o que você faz atualmente, tente introduzir alguns novos elementos. Se você não se  exercita de manhã, tente dedicar 30 minutos para correr, caminhar ou qualquer outro exercício aérobico. Se sempre toma seu café da manhã na sua casa, comece a tomá-lo em algum outro lugar. Tente mudar suas rotinas matutinas no banheiro. Se você escova os dentes antes de tomar banho, comece a fazê-lo depois. Encontre uma forma diferente de chegar ao trabalho. Altere suas rotinas no escritório. E então tome uma pausa e reflita sobre esta experiência. Como você se sente? Estressado? Ansioso? Está infeliz em relação a como estas novas rotinas estão impactando o seu dia-a-dia? Se sente ineficiente ou mesmo desconfortável? Se não, mude sua rotinas de novo. E de novo. E de novo… (à propósito, é assim que as pessoas se sentem em companhias que frequentemente passam por processos de fusão, aquisição, reorganização e outras transições desorientativas relativas a como as coisas funcionam).

Pois é… E nas empresa mudanças organizacionais são ainda mais complexas. Elas podem incluir:

  • Mudar o estilo gerencial predominante, de forma a ter menos perfis de comando e controle e mais perfis que incentivem a autonomia
  • Mudar a abordagem dos projetos elaborados e aprovados dentro da organização, de modo que sejam mais criativos, mais abertos a novas idéias e mais inovadores nas suas soluções
  • Ou ainda, mudar a forma como as pessoas se relacionam uma com as outras dentro da organização de modo a construir um ambiente de acelerada confiança mútua.

Esse tipo de mudança é complexa porque demandam rotinas e formas de se comportar coletivas muito diferentes e o expertise para alcançar tais mudanças pode não estar dentro da organização.

A Alliance Coaching conta com o know-how para alcançar com êxito essas mudanças culturais – a metodologia Walking The Talk – e geralmente percebo que grande parte dos Heads de RH gostam do conceito, da abordagem e do passo a passo. Seus olhos brilham quando discutimos a pragmática jornada cultural que oferecemos.

Mas ao fazer o balanço do ano, revisitando todos os potenciais clientes que visitei, percebo muitas vezes que a minha argumentação para num determinado obstáculo. É que alguns executivos de RH se deparam com o fato de ser necessário contar com o apoio integral da liderança da empresa para avançar nesta jornada. E este desafio muitas vezes os imobiliza, postergando algo que é estratégico para a organização, ao se debater internamente com as seguintes questões:

  • Como obter o compromisso do CEO?
  • Qual é a abordagem correta?
  • Como entender as pressões internas e externas que ele enfrenta e ajudá-lo a inserir no leque de prioridades, decisões e trade-offs, a gestão da cultura organizacional?
  • E mais importante: como criar esse compromisso em relação às necessárias mudanças na cultura organizacional ou mesmo alavancar a persistência dele em fazer as coisas de forma diferente e acelerar os resultados da empresa?

Alguns heads de RH podem estar falhando na correta abordagem com o CEO, ou porque eles não compreendem totalmente o modelo mental do CEO ou porque carecem da paciência necessária para mover corretamente “as peças dos tabuleiro”.

Dado que administrar mudanças organizacionais é difícil e que levar o CEO a enveredar pelo processo de aprimorar a cultura corporativa pode ser ainda mais complicado, conclui que é necessário oferecer  uma ferramenta para ajudar o profissional de RH a alavancar seu relacionamento com os níveis mais altos da organização em que trabalham e consolidar sua área num patamar mais estratégico, assumindo ativamente a responsabilidade pela cultura corporativa.

No entanto, a eficácia deste instrumento só será possível quando estes profissionais se conscientizarem da necessidade de investir tempo e energia em sua habilidade de influenciar estes níveis. E mais: estar consciente da necessidade não vai resultar no dominio desta competência, a menos que sintam um forte senso de urgência. Esta urgência deve ser robusta o suficiente para compeli-los a decidir que necessitam se posicionar de forma diferente o mais rápido possível.

Assim, juntos, podemos desejar: Que Venha 2012!

 

Para esta e outras competências, quer que você atue em RH ou em outras áreas-chave, conte comigo.

Pablo Aversa

Publicado originalmente no site do Jornal O Globo

No filme Jerry Maguire, o personagem de Cuba Goodning Jr. é um jogador de futebol americano que deseja mais do que o sucesso, quer o “kwan”. Quando perguntado o que significa “kwan”, ele responde que é o pacote completo: dinheiro, sucesso, qualidade de vida, enfim, muitos podem ter dinheiro, mas não podem ter o “kwan”, finaliza.

Essa é a pergunta que mais ouço nos processos de coaching. Como ter qualidade de vida? Como equilibrar a vida pessoal com o trabalho? Embora a pergunta pareça fazer sentido, na verdade não tem uma resposta única para todos. Primeiro, porque sucesso profissional significa coisas diferentes para pessoas diferentes. Segundo, porque cada indivíduo vive um contexto específico que deve ser considerado para se obter essa resposta.

A pergunta-chave

Para se chegar a uma ação, ou a um plano de ações, a pergunta a ser respondida é: “Qual o propósito de sua vida?” Sem essa resposta, é difícil encontrar energia para se fazer o que é necessário para ter sucesso e equilíbrio.

A sugestão para criar um propósito para sua vida é que a pessoa se interesse em se autodesenvolver e atingir um nível elevado de maturidade. A vida se parece muito com um veículo que adquire complexidade com os anos. Aos 20, se parece com uma moto; aos 30, com um carro. Mas ao chegar aos 40, transforma-se em um avião de grande complexidade. Não adianta querer pilotar um avião, tendo a compreensão de instrumentos para se dirigir um carro. O avião cai.

A dificuldade em se obter equilíbrio na vida é que o indivíduo tem, com o passar do tempo, de adquirir cada vez mais conhecimento sobre cada vez mais áreas de sua existência.

O principais vilões: falta de conhecimento financeiro e de domínio emocional

Pela natureza do meu trabalho, vejo com clareza decisões de pessoas com 30 anos que impactarão suas vidas aos 40 e 50 anos. E vejo executivos nessa idade que se lamentam de suas decisões impensadas do passado. Embora considere que tudo pode ser visto como um aprendizado para a maturidade, certas escolhas carecem de racionalidade e domínio emocional, que são os principais responsáveis pelo desequilíbrio na vida das pessoas.

Dinheiro, sempre ele

O primeiro assunto que observo que elas evitam ao máximo é o conhecimento relevante sobre investimentos. Nossas escolas ensinam muito bem os indivíduos a ser empregados, mas falham de forma decisiva em oferecer informação de como lidar com o dinheiro e gerar fontes de renda passiva, isto é, utilizando-se de habilidades de investidor. Considero esse o fator isolado mais importante para o desequilíbrio e baixa qualidade de vida. Pois, quanto mais se aproxima dos 40 anos, a liberdade da maioria diminui devido às questões financeiras. E isso ocorre mesmo para profissionais bem-sucedidos, mas cujo padrão de vida é muito alto e mantido por salário. O problema é que a renda salarial, além de ser a mais tributada de todas, é também a mais arriscada. Afinal o salário só possui dois níveis: 100% ou zero.

Entretanto, embora um indivíduo observe com clareza que deve se dedicar por décadas para ser um mestre na sua profissão, tem a ilusão de que pode se tornar um investidor por meio de dicas sobre investimentos. Como não sabe o que é um investimento, em geral pega essas dicas com profissionais que se identificam como consultores, mas que na sua maioria são vendedores de produtos financeiros. É como perguntar a um barbeiro se ele acha que você precisa cortar o cabelo.

Aprender sobre investimentos requer tempo e dedicação, e não há um ponto de chegada, mas um aprendizado contínuo e útil por toda a vida. Sugiro começar com livros a respeito, exercitar muito e então fazer os investimentos que são favoráveis e de acordo com seu estilo e interesse.

Informação relevante: um investidor deve conhecer sobre o mercado financeiro, metais preciosos, setor imobiliário e negócios. E entender as implicações em sua vida das dívidas, da aposentadoria, inflação, dos tributos e juros. Em algum instante, será um ou mais desses fatores que serão responsáveis em grande parte por sua baixa qualidade de vida. O mundo e as pessoas estariam em melhores condições se fossem alfabetizados financeiramente.

O desafiador domínio emocional

O segundo fator, domínio emocional, é o que faz com que a pessoa possa ter qualidade de vida mesmo em momentos que lhe são extremamente desfavoráveis. Manter a paz e a serenidade quando tudo vai bem não requer nenhum desenvolvimento. Mas, quando a vida acontece de forma muito desfavorável, violenta ou injusta, nesses momentos é que é preciso desenvolvimento humano para suportá-los e sair deles sadio física, mental e psicologicamente.

Para desenvolver-se e ter condições de enfrentar esses dificílimos momentos, o propósito maior deve ser, ao passar por eles, se aprimorar. Não há sentido em vivenciar experiências dolorosas; é a própria pessoa que deve ser capaz de lhes dar significado. Em meu trabalho já vi seres humanos passarem por coisas indescritíveis, inomináveis, mas ainda assim seguirem suas vidas com uma inspiração inacreditável.

O indivíduo deve interessar-se por temas como preparo psicológico, maturidade espiritual, transcendência, a vida como um processo de aventura no qual o herói é a própria pessoa em sua jornada de transformação, enfim, temas que somente podem ser vivenciados. São eles que auxiliam a pessoa a evoluir, lidar com a complexidade da vida e amadurecer, de forma a criar um propósito maior que ilumine suas ações, suas palavras e, por fim, tragam o equilíbrio que tanto deseja. Pensar nas horas de trabalho é importante; nas horas dedicadas à família, também é importante, mas inspirar-se por sua própria existência é onde está o equilíbrio que a pessoa tanto almeja.

Por fim, a super-valorização das emoções na cultura brasileira causa mais transtornos que benefícios às pessoas. Casais que falam alto entre si. Líderes que gritam com seus subordinados. Colegas de trabalho que se dirigem uns aos outros aos palavrões de forma dura. Pessoas que se fecham diante dos desafios da vida. Enfim, as emoções podem ser grandes aliadas na busca por uma vida sadia, mas, sem domínio e nas doses exageradas são motivos de deterioração da experiência de vida. Nesse sentido, uma orientação é que a qualidade de vida no trabalho é diretamente proporcional à qualidade dos diálogos. Respeito e consideração entre as pessoas nesse ambiente fariam grande diferença. Principalmente se os líderes fossem conscientes de que suas palavras e comportamentos afetam a todos. Vamos em frente!

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Publicado originalmente no Jornal O Globo

Com a crescente preocupação com a crise internacional, as empresas cujos mercados correm risco de ser afetados deverão fazer cortes e postergar investimentos. Assim, se a pessoa trabalha em uma organização com essa perspectiva, ou em um fornecedor dessa empresa, deve estar atenta para a possibilidade de ser afetada. Até por uma demissão. Como se preparar para isso?

Em primeiro lugar, é importante que o profissional saiba que, ao escolher ser empregado, está sujeito a que seu contrato de trabalho seja finalizado pela companhia. Faz parte do jogo. Uma organização é basicamente um fluxo de receitas e despesas; e ele é o ar que a empresa respira. Se faltar, a empresa morre. Portanto, no momento em que o fluxo de receitas corre o risco de ser interrompido ou reduzido drasticamente, a organização deve fazer o que for necessário para se manter viva. E, por vezes, isso inclui o doloroso processo de demitir pessoas. O que um profissional deve fazer para, ao ser demitido, estar em condições de se recolocar com mais chances de sucesso?

Primeiramente, deve se preocupar em manter uma rede de relacionamentos relevantes. Isso, hoje, é muito mais fácil que no passado. Por meio de redes sociais apropriadas, é possível estar em evidência no mercado mesmo que seu tempo seja curto. Atualmente, muitas companhias dão preferência pelo currículo profissional que se encontra em redes como o LinkedIn em vez de recebê-lo via e-mail. Enviá-lo impresso, além de ecologicamente incorreto, é uma forma antiquada de se apresentar. E as empresas precisam de pessoas atualizadas com a tecnologia. Portanto, mantenha seu CV atualizado nas redes.

Embora não seja uma ciência exata, sua rede deve ter pelo menos 350 contatos. Outro fator importante: ela deve ser formada por pessoas que estão um ou dois níveis acima do seu, pois são os gerentes que contratam coordenadores, e os diretores que contratam gerentes. Se na sua rede só há pessoas com nível igual ao seu ou abaixo, deve se preocupar em conhecer indivíduos em cargos mais elevados e também aqueles que os influenciam.

Entretanto, participar de uma rede social sem entrar em seus grupos de interesse faz com que o profissional não seja observado por pessoas relevantes do seu mercado de atuação. É essencial ingressar nesses grupos e participar das discussões; interagir, refletir e emitir opiniões pertinentes.

Por outro lado, um problema que se enfrenta ao estar empregado é que o tempo mental da pessoa fica 100% dedicado à empresa; para-se de pensar em ações para a carreira. O ideal é que, ao menos duas vezes por semana, almoce ou tome um café com alguém de sua área. O profissional deve estar consciente de que é responsável por vender sua aptidão profissional no mercado de trabalho e, mais do que isso, ser percebido como alguém de elevada credibilidade e reputação.

Outra ação que contribui muito para sua carreira é marcar presença em feiras e exposições com a participação da empresa em que trabalha e de seus clientes. É a oportunidade de poder trocar cartões e ficar conhecido por pessoas que possam recomendá-lo para posições em outras empresas. Dar aulas ou palestras também aumenta seu destaque no mercado. Mas a preparação é fundamental, porque se apresentar diante de um público sem estar treinado pode ser um desastre para sua reputação.

Por último, procure tratar bem e manter vínculos com todas as pessoas, clientes internos e externos. E não se esqueça dos fornecedores, que provavelmente conhecem oportunidades em posições similares à sua em outras empresas, e poderiam indicá-lo, se tiverem uma boa opinião a seu respeito, é claro. Sua carreira agradece.

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Publicado originalmente no site do Jornal O Globo

Certa vez, estava em uma empresa de tecnologia e sistemas, conversando com a diretora de negócios sobre sua operação. A sala era imensa, cerca de 150 profissionais concentrados em seus computadores, sentados lado a lado, atendiam clientes remotos, no desenvolvimento de propostas e programação. De repente, entrou um gerente de vendas segurando um documento aberto na mão esquerda e batendo nele com a outra mão espalmada. Ele veio até a diretora e falou entusiasmado:

– Fechamos mais um!

No mesmo instante, um técnico sentado próximo, que digitava em seu computador, levou a mão à cabeça e gritou:

– Puuuu…! Mais trabalho!!!

Ficava claro ali a grande deficiência dos líderes em explicar o jogo da empresa a seus funcionários. Comparativamente, imagine se víssemos um torcedor de futebol reclamar que seu time fez o segundo gol em uma partida:
– Ah, não! Outro gol? Já não tínhamos feito um? Para que mais?
Por mais estranha que seja essa cena em uma partida, nas empresas ocorre com frequência. As pessoas estão cansadas, não se interessam pelo jogo, não entendem como ele ocorre, não gostam dele e, portanto, não torcem para ninguém. Embora estejam jogando.
Nos esportes, alguns curtem futebol, outros de tênis, Fórmula 1, vôlei e há quem simplesmente aprecie esportes em geral. As empresas também são assim. Há inúmeras, para todos os gostos, mas, para que as pessoas gostem do ambiente empresarial, é preciso que alguém explique do que se trata o jogo e por que ele é interessante. Nesse aspecto, os líderes têm falhado miseravelmente.

Primeiro, porque não sabem se expressar, não esclarecem como a empresa funciona como um todo e, principalmente, não são capazes de dizer por que o mercado, as atividades da empresa e seus propósitos são interessantes. Não é a rotina que desanima os profissionais – pois é só observar que alguns seriam capazes de jogar e acompanhar futebol todos os dias (alguns o fazem) –, mas sim o fato de não conseguirem ver suas atividades diárias além de uma obrigação para que sejam pagos ao final do mês.

O líder deve ser aquele que é capaz de explicar de forma inspiradora o jogo da empresa. Seus propósitos, objetivos, o que torna interessante o que a ela faz e porque é relevante ao mundo a sua existência. Se o gestor só cobra resultados, redução de custos e dá feedbacks negativos quando algo está errado, não é surpreendente que seus funcionários sejam não apenas desmotivados, mas que não torçam pelo sucesso da organização.

O bom gestor sabe que será cobrado pelos resultados, mas é alguém que torna as operações compreensíveis aos demais líderes e profissionais. Conversa a respeito com genuíno entusiasmo e conecta as pessoas e suas atividades aos propósitos mais elevados da empresa, sua missão e sua relevância ao mundo. Vibram quando alguém tem uma atitude nessa direção e procuram envolver e inspirar os demais a fazer o mesmo. É um grande jogador do jogo empresarial.

O interesse dos profissionais pelas empresas é diretamente proporcional à capacidade dos líderes de explicar como elas funcionam de um modo semelhante aos jogos: propósitos, objetivos, regras, fundamentos, jogadas, pelo que se torce, celebração a cada ponto marcado e pela vitória ao final de um período. A maioria dos líderes está muito longe disso, e eles já tentaram de tudo para criar um ambiente com um mínimo de motivação. Não está na hora de mexer na pessoa que aparece no espelho? Vamos em frente!

Publicado originalmente no site do jornal “O Globo”

Conheci um gerente que se questionava, já próximo aos 40 anos, por que não conseguia chegar ao cargo de diretor. Afinal, era considerado competente, sincero, falava o que pensava e, como conseqüência, todos gostavam dele. Inclusive os diretores. Entretanto, para ele era um mistério observar que até mesmo antigos subordinados seus já haviam chegado à diretoria e ele não. Livros, workshops sobre liderança, cursos… Parecia que nada o havia feito aprender o que precisava para ser promovido. Um desafio angustiante e obscuro.

Não é incomum vermos profissionais que não conseguem galgar postos maiores por motivos comportamentais. Principalmente, por sua forma de se expressar e a incapacidade de dominar suas emoções. Quando criança, um indivíduo não tem consciência de como se expressa e o quanto isso interfere na sua vida. Entretanto, como adulto, terá muitos problemas na carreira e na vida pessoal se tiver um desejo incontrolável de ser “ele mesmo” e dizer o que pensa de qualquer modo.

O mundo não é desenhado para compreender e aceitar qualquer comportamento ou expressão de uma pessoa, mas feito por regras que, quando quebradas, geram consequências. Elas existem para se permitir o convívio, não para inibi-lo. Entretanto, nem todas são escritas ou faladas diretamente. O profissional maduro deve ser capaz de observá-las – e muitas delas estão nas entrelinhas. Uma pessoa imatura jamais saberá interpretá-las. Ela irá querer clareza em um mundo que é complexo por natureza: o mundo das relações humanas. E as empresas são feitas de seres humanos.

Portanto, é prudente refletir sobre a seguinte questão: você tem tanta necessidade assim de ser você mesmo? Qual o valor de ser você mesmo se, ao fazê-lo, não produz a vida que deseja? Na natureza, os indivíduos que sobrevivem são os mais adaptáveis de sua espécie. E a vida adulta requer adaptação. O profissional que deseja transpor postos maiores deve saber se expressar. Entender o que falar e o que não falar. Saber o momento e a forma apropriada de transmitir uma mensagem. A maturidade requer responsabilidade e temos falta de pessoas que queiram, de fato, subir, se responsabilizar por outras e pelos resultados. Afinal, ser líder não pode ser visto como um esquema para se ganhar mais dinheiro e status.

Entretanto, para aqueles que desejam chegar lá, o desafio é saber ler a cultura da empresa em que trabalham, principalmente nas entrelinhas, e quais comportamentos são incentivados por mensagens faladas e “não faladas”, especialmente pelos líderes da empresa. Assim, se o gerente mencionado no início desta reflexão deseja de fato ser um diretor, deve pensar em se vestir, falar e se comportar como um desde já. O bom ator interpreta um personagem com maestria, usa suas emoções a serviço desse papel, que de forma relevante auxilia a contar a história da peça ou do filme. A pessoa deve pensar sobre qual cargo deseja e interpretar bem a função que o levará a alcançar sua escolha. Não há nenhuma regra que estabeleça que alguém somente pode falar, se vestir e se comportar como um diretor quando for um. Ela pode começar a praticar desde já.

Assim como os bons atores estudam seus papéis, treinam e possuem coaches para se aprimorarem, o bom profissional deve fazer o mesmo. Não adianta possuir um intelecto privilegiado, se não for capaz de dominar suas emoções, suas falas e seu comportamento. Ao exercitar esse domínio e ter consciência da vida que deseja ele terá mais condições de se adaptar à cultura da empresa, se desenvolver e ser percebido como um candidato a cargos mais elevados. Afinal, a seguinte orientação, apesar de antiga, vale com muita propriedade para os dias atuais: envelhecer é obrigatório, mas maturidade é opcional. Vamos em frente!

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